Manual Antissocial.exe v1.0 (Deploy direto no caos)
Estratégias rápidas de como escalar conflitos sem entender absolutamente nada, movido por um ego inflado em modo turbo.
Estava procurando por fontes de inspiração interessantes a fim de que pudesse escrever algo que fosse fora do óbvio (notícias sobre sistemas vulneráveis, etc).
Numa dessas andanças acabei lembrando da metodologia XGH (eXtreme Go Horse), velha conhecida dos desenvolvedores de software. Se você trabalha com tecnologia, certeza que já usou o processo XGH alguma vez (ou usa atualmente).

A principal premissa do XGH, a primeira, é que se você pensou, então não está usando-o. “O XGH não pensa, faz a primeira coisa que vem à mente. Não existe segunda opção, a única opção é a mais rápida”.
Ah, os anos 90
Vi muito desse humor escrachado ligado à tecnologia no meu contato inicial com tecnologia, Internet e hacking.
Em meados da década de 90 proliferavam no underground mundial e brasileiro as chamadas “E-zines” (Electronic Magazines/Revistas Eletrônicas). Eram um material farto de como “usufruir” à fundo a tecnologia que tínhamos ao nosso dispor. Esse conteúdo era disponibilizado na forma de posts em páginas ou compactado em .zip, para que pudesse fazer o download e ler off-line (antigamente para se conectar à Internet você precisava ter uma linha telefônica em casa e um aparelho chamado modem (que poderia ser interno, na forma de uma placa PCI, ISA, etc; ou externo, uma “caixinha” com luzes piscando).


Uma das E-zines mais conhecidas no Brasil foi a Barata Elétrica, do Derneval Rodrigues Cunha (https://www.instagram.com/barataeletrica/).
Confira alguns links do Barata Elétrica:
https://absoluta.org/barata/ (A maioria das edições está compactada em
.zip. Baixe em seu computador e descompacte o arquivo.doc(Word) que está dentro dele).https://sites.google.com/site/barataeletricafanzine/pagina-do-fanzine-barata-eletrica/indice-dos-numeros-anteriores/ (Edições para ler diretamente em seu navegador).
Bons tempos…
Confira no botão abaixo um compilado de outras principais e-zines brasileiras
Porque claramente alguém precisava documentar um passo a passo de como as coisas podem dar errado em sociedade?
Simplesmente por ser do contra mesmo, não seguindo o fluxo do certinho, e ao mesmo tempo, para as pessoas fazerem justamente o contrário do que este guia mostra.
Seguindo esta ideia do XGH (e do modo nostálgico que ativei ao escrever este post), além de encarando o modo como vivemos em sociedade, invertendo o padrão (que é você se dar bem no mundo coletivo), como seria um guia, um manual de como se dar mal?
Eis que esbarro neste post de autoria do desenvolvedor de software Nate Nowack.
Vamos lá.
AVISO AOS NAVEGANTES:
Espero que entenda que este manual não é para te incentivar a fazer coisa errada, mas para entender que se você seguir à risca, poderá ter experiências sociais confusas, desgastantes e, acima de tudo, isoladas.
O guia não foi feito para melhorar a sua vida em sociedade. Muito pelo contrário. É praticamente um compilado de más práticas, um verdadeiro .zip de decisões que aceleram o caos com uma eficiência operacional de dar inveja a qualquer autor de livros de autoajuda.
Já aconteceu de você ter saído de uma conversa com tanta convicção de que estava certo, mas ao mesmo tempo não entendeu nada do que foi falado? Meus parabéns: você já tem o espírito deste manual rodando em background no seu cérebro.
Agora vamos ao que interessa.
1. Assuma que o problema está na outra pessoa
Se alguém disser algo que te incomoda ou que buga seu cérebro, nem perca tempo tentando entender. A explicação é simples: a outra pessoa está operando com falha crítica.
Não existe lógica. Não existe contexto. Só erro.
2. Interprete tudo por meio de seus próprios medos (e intuições)
Ficou em dúvida sobre o que alguém quis dizer? Ótimo, escolha sempre a pior interpretação possível.
Considere que a intenção da outra pessoa seja maligna, que ela é ignorante ou completamente sem noção. Seus medos e intuições são como seu antivírus emocional (mesmo que detectem ameaças que surgiram apenas na sua cabeça).
3. Nunca revise seu próprio código (ou o seu jeito de pensar)
Suas ideias são perfeitas. Questioná-las seria um desperdício de tempo e processamento.
Confie nos seus sentimentos como se fossem uma versão final, estável e sem bugs de um software. Se compilou na sua cabeça, então você está super certo.
4. Mudança rápida de assunto é uma ótima defesa
Se alguém trouxer argumentos que você não domina, execute imediatamente um desvio tático.
Troque de assunto, simplifique demais ou jogue a conversa para outro território. Demonstrar desconhecimento é tipo admitir derrota antes do boss final (quem jogava em fliperama vai entender).
5. Faça perguntas que já vêm com uma resposta
Se precisar perguntar algo, faça do jeito certo (ou errado, no caso): já embutindo na pergunta uma conclusão.
Algo como:
“Mas você não acha que isso só confirma o que eu falei?”
Parabéns, você não perguntou. Você apenas se reafirmou com ponto de interrogação.
6. Dobre a aposta quando discordarem de você
Se várias pessoas discordarem de você, não significa que esteja errado.
Significa apenas que você está no meio de um complô coordenado.
Mantenha sua posição com a firmeza de um modem tentando conectar em dia de chuva.
7. Chame reforços
Quando seus argumentos começarem a falhar, chame reforços.
Compartilhe versões cuidadosamente editadas da conversa com pessoas que já concordam com você. Remova contexto, ajuste detalhes e entregue uma narrativa pronta para validação coletiva.
Nada como um eco bem organizado.
8. O currículo de uma pessoa só importa quando ela concorda com você
Nunca perca tempo analisando experiência, conhecimento ou histórico de quem discorda.
Agora, se a pessoa concordar com você, automaticamente ela vira referência mundial no assunto.
Curioso como isso funciona.
9. Erros alheios são imperdoáveis
Se alguém errar, especialmente alguém que você nem conhece, trate como falha irreversível.
Sem contexto. Sem empatia. Sem atualização.
Afinal, julgar à distância economiza tempo.
10. Quando tudo falhar, desconecte
Se a conversa sair completamente do controle, não tente resolver.
Simplesmente suma. Desapareça. Finja que nunca aconteceu.
11. Regra final: não tente entender
Entender os outros exige esforço, contexto e, pior ainda, flexibilidade.
Evite.
Foque apenas no que você já acredita. O resto é conteúdo opcional que você não precisa instalar.
💿 Este manual não recebe atualizações. E talvez esse seja exatamente o problema.
Créditos:



